A importância da consciência sobre investimentos realizados durante a vida foi o tema do Fórum de Educação Financeira LUTERPREV, iniciado na manhã de hoje (17 de agosto) em Porto Alegre.
O Fórum de Educação Financeira LUTERPREV é uma parceria com a Rede Sinodal de Educação, Qualidade RS e Junior Achievement, com apoio da Associação Brasileira de Recursos Humanos e Conselho Regional de Administração. O evento segue durante a tarde, com oficinas para educadores.
Cerca de 300 pessoas, entre educadores, executivos, empresários e profissionais da área de gestão de pessoas reuniram-se no hotel Deville para assistir à palestra da especialista em Educação Financeira Cássia DAquino Filocre, membro da International Association for Citizenship, Social and Economics Education. Cássia explicou que, com o surgimento do Real, começou a se tornar possível pensar em alguma maneira de se educar financeiramente. Desde então, ela vem se dedicando a educar pessoas, especialmente crianças, sobre a importância de se lidar bem com o dinheiro. “É preciso ensinar a ganhar dinheiro e resolver problemas com uma perspectiva diferente daquela dos nossos pais e avós. Com o aumento da expectativa de vida, a pessoa fica velha durante mais tempo, e isso, mais do que nunca, requer uma poupança”, exemplificou. Segundo ela, “gastar é fazer escolhas”. Os pais devem estar envolvidos na educação financeira dos filhos, que pode começar entre os cinco e seis anos de idade. “Ninguém gosta de ser repreendido, por isso é preciso ter empatia e capacidade de se colocar no lugar do outro, para não criar distanciamento”, ensinou.
A programação seguiu com o painel “Diferentes olhares sobre a busca do equilíbrio”. O empresário Ingo Voelcker falou da experiência da educação financeira no âmbito do trabalho, apontando reflexos da má administração, como consumo excessivo, dívidas e pagamento de juros, estresse e baixa produtividade. “Aprende-se a aumentar rendimentos, mas não a adequar desejos ao nível das posses”, pontuou. Para ele, é preciso consumir menos, dar valor às coisas, saber fazer escolhas, reconhecer desperdícios, preço justo, formas de pagamento, escala de valores, impacto do mau consumo.
O educador Dorival Fleck comparou a educação financeira na escola dos séculos XX e XXI. “Ela é fundamental nos planos individual, familiar e nacional. Hoje, trata-se de um tema transversal, tal como civismo, saúde, sexualidade e trânsito”, comparou, acrescentando que a direção da escola deve ser ativa no planejamento, execução e avaliação, e pais devem ser envolvidos mediante motivação e geração de expectativa.
Claudete Deferrari contou como, na sua casa, o aprendizado é feito pelo exemplo. Mãe de Diego, 15 anos, defende o consumo responsável, conceito que o filho já conhece bem. Desde os seis anos, ele tem uma poupança, e tudo o que precisa compra com a própria mesada. É aluno do colégio Sinodal, de São Leopoldo, e freqüenta aulas de Educação Financeira.
Para o publicitário Alexandre Skowromsky, consumo e saúde financeira não são inimigos: “Engana-se quem acredita que a propaganda é a vilã do consumo”. Ele destacou o papel para promover, divulgar e informar sobre marcas produtos e serviços, acrescentando que o consumo é parte da saúde financeira, mas falta cultura e conhecimento na maioria dos consumidores. “É preciso encontrar equilíbrio entre ganhar, consumir, economizar, investir e doar”, finalizou.
O psiquiatra Gabriel Neves Camargo apontou a incapacidade de gerenciar os desejos em função de benefícios futuros. “As escolhas estão baseadas no imediatismo, as pessoas são incapazes de amargar frustrações. Isso porque, ao nascermos, achamos que o mundo existe para satisfazer os nossos desejos, o que por volta dos três anos começa a ser desconstruído, mas em muitas pessoas não fica bem resolvido”. Ele classifica os tipos de consumo inútil como patológico-maníaco, deprimido compulsivo, mal frustrado, compensatório à baixa auto-estima, invejoso e sociopático. E ensinou as três leis da boa psicologia econômica: o que você poupar deve ter uso; poupança insuficiente, vida dependente, poupança excessiva, desperdício de vida; e preserve a sua independência financeira até o último dia.
Programa - tarde
Oficinas – das 14h30min às 17h
1) Tratando do Entendimento do Mundo Financeiro e da Economia Doméstica - Colégio Sinodal São Leopoldo. Apresentação do Projeto “Consumo Responsável” e vivência de atividades pontuais que fazem parte do seu desenvolvimento. Professora Tânia Elisa Seibert, mestre em Ensino de Ciências e Matemática.
2) Responsabilidade Ética e Social no Mundo Financeiro - Instituto de Educação Ivoti. Reflexão sobre a inserção de temas do mundo financeiro na formação de crianças e de jovens, por meio da vivência de situações práticas no ganho e no uso do dinheiro de forma responsável, no planejamento, na administração de gastos e no hábito de economizar. Professores Denise Kern, licenciatura em Matemática, e Marcos Stephani, licenciatura em Matemática e mestrado em Educação em Ciências e Matemática.
3) A Contextualização Ética e Social da Educação Financeira - Centro Sinodal de Ensino Médio Dorothea Schäfke. Oficina direcionada à reflexão de situações do cotidiano do aluno através de práticas sobre a importância da Educação Financeira no mundo globalizado. Professores Marelise Volkart, licenciatura em Matemática, e Silvio Luiz Britto, mestre em Ensino de Ciências e Matemática.